Instituto Cuida de Mim: Centro de Atendimento, Estudos e Pesquisas em Saúde Mental.

5 sinais de depressão na infância

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Ainda que pessoas muito famosas no Brasil, como o humorista Whindersson Nunes ou o padre Fábio de Melo, falem abertamente sobre as dificuldades que enfrentam ao conviver com a depressão, as pessoas ainda têm dificuldade de entender o quão severa é essa doença.

Agora, se um adulto, com mais consciência sobre si, ainda se depara com julgamentos sobre essa condição, você pode imaginar o preconceito que pais enfrentam ao receber o diagnóstico de depressão na infância? Pois é, não podemos baixar a guarda.

A depressão tem aumentado, especialmente, entre crianças e adolescentes, devido a fatores como o pouco contato social, pouco acesso ao lazer e a uma boa educação. Além disso, o convívio com a violência aumenta drasticamente as chances de a doença se manifestar em crianças. Pior do que isso: de atingir as crianças que fazem parte da parcela mais carente da população, pouquíssimo assistida em termos básicos de saúde, quanto menos em relação à saúde mental.

Como existe falta de conhecimento e ainda há muito preconceito em relação à depressão, pais ou responsáveis demoram a procurar ajuda para as crianças, por acreditarem, também, que é “só uma fase”.  Mas, quanto mais cedo a doença é diagnosticada, maiores são as possibilidades de garantir uma vida confortável, tanto para a criança como para seu responsável. Na infância, o diagnóstico é mais complexo, pois as crianças ainda não sabem nomear os seus sentimentos e as suas emoções.

Saiba quais são os 05 sinais de depressão na infância

 É nossa responsabilidade dizer que o diagnóstico da depressão na infância somente deve ser feito por especialistas, como psicólogos e psicoterapeutas. Portanto, apesar deste artigo ter embasamento médico, o objetivo é apresentar mais informações sobre a doença, tendo em vista tudo o que já falamos sobre o preconceito que permeia a depressão infantil.

Temos aqui 5 dos principais sinais de depressão na infância. É muito importante que os pais ou responsáveis fiquem atentos ao comportamento e ao humor da criança, para perceber se as mudanças são inerentes ao seu desenvolvimento ou se são permanentes, a ponto de prejudicar os relacionamentos e os estudos, por exemplo.

Sinal 1: Falta de interesse nas atividades favoritas

As crianças são naturalmente curiosas, gostam de explorar, de brincar, criar cenários e histórias. Quando seus comportamentos são diferentes desses ou quando a criança não se sente estimulada a superar nenhum desafio, é um sinal de alerta. Se a criança gostava de jogar videogame, de brincar com amigos, de dormir na casa de colegas e, repentinamente, essas atividades começam a causar incômodo, pode ser indicação de que há algo errado.

Sinal 2: Mudança no sono

Como as crianças ainda não têm clareza do que estão sentindo, um dos sintomas mais evidentes de que há algo grave acontecendo é a somatização do sofrimento. A qualidade do sono muda bastante quando há depressão na infância. E esse sintoma pode ser demonstrado pela criança tanto pela dificuldade de dormir quanto pelo sono em excesso. Ambos, quando extremos, são sinais importantes de alerta.

Sinal 3: Mudança no apetite

Assim como a mudança no sono, essa mudança de comportamento pode ser percebida pelos extremos: ou pela falta de apetite, ou quando a criança passa a comer em excesso. Esse sintoma causa variação de peso, por isso, é importante prestar atenção à alimentação dentro e fora de casa. Há casos em que as crianças jogam fora o lanche que levam à escola, apenas para os pais não estranharem que elas não comeram o seu lanche.

Sinal 4: Tristeza profunda

Devido à complexidade do diagnóstico, a depressão pode ser confundida com a tristeza, até mesmo em adultos. E, antes de continuarmos, é importante falar que sentir tristeza é bom também, pois permite à criança um momento de autorreflexão e possibilita o autoconhecimento. Por esses motivos, os pais e cuidadores devem sempre ajudar as crianças a nomear os sentimentos, pois ter repertório socioemocional é fundamental para que cresçam mais conscientes dos seus sentimentos.

Tendo dito isso, a tristeza como sinal de depressão é permanente, em que nada que seja oferecido à criança faz com que ela se sinta melhor. Ela continuará triste mesmo diante de situações que antes poderiam lhe deixar alegre. Há casos em que as crianças dizem que não sentem mais sabor nas suas comidas preferidas e não veem mais cor nas coisas ao seu redor.

Mas, atenção, novamente: a tristeza e a depressão não são equivalentes. A criança pode ficar triste e precisa ser capaz de reconhecer esse sentimento. O que deve despertar a atenção dos cuidadores é se a tristeza na criança é duradoura a ponto de impactar no seu dia a dia.

Sinal 5: Irritabilidade

Como estamos falando de crianças, a irritabilidade pode ser confundida com manhas ou frescura. Mas, se a irritação ou a raiva são permanentes, é necessário manter o alerta ligado. Se a criança se irrita com um simples “bom dia”, dando a impressão de que o mundo a odeia, pode ser que algo grave a esteja afligindo.

Normalmente, este sintoma se manifesta mais nos meninos do que nas meninas, mas não significa que é incomum no sexo feminino. É importante destacar que a mudança brusca de comportamento é que deve ser observada, bem como, se essa alteração é natural do desenvolvimento ou se é permanente e causa problemas na rotina da criança.

Como tratar a depressão na infância?

Como já falamos, o principal cuidado a ser tomado é entender e aceitar a depressão como uma doença, e não submeter a criança à rótulos como o de mimada, por exemplo. É preciso estar atento às mudanças de comportamento e, ao menor sinal de grandes variações, procurar ajuda. Mesmo que não seja diagnosticada a depressão, a criança se sentirá assistida e saberá que pode confiar em você sempre que precisar.

A depressão na infância pode significar, também, a necessidade de cuidados com a família, pois, muitas vezes, o problema existe no sistema em que a criança está inserida. O acompanhamento psicológico é importante para todos e em qualquer fase da vida. A saúde mental não é frescura e não deve ser tratada com negligência.

Hoje, felizmente, existem organizações, como o Instituto Cuida de Mim, que ajudam a população carente a ter acesso a um acompanhamento psicológico de qualidade. Este suporte social à população de baixa renda ajuda a tornar a vida destas pessoas um pouco melhor.

Sendo uma instituição sem fins lucrativos, o Instituto conta com a colaboração da população para manter o projeto vivo. Assim, criamos diversas formas de colaboração popular para o ICM. Saiba mais aqui.

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